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Como reconhecer um analista do comportamento
João Cláudio Todorov


Como reconhecer um analista do comportamento - João Cláudio Todorov

   Para o behaviorista um assunto muito rico e interessante é o uso de termos e conceitos por outros psicólogos quando oferecem explicações para comportamentos. Reconhecer que não temos resposta para uma questão é tão importante quanto saber a resposta; se não reconhecemos a ignorância fica difícil sair dela.

   É melhor ficar sem resposta para uma pergunta quando não se tem certeza da resposta. Isso vale tanto para o pesquisador estudando um fenômeno quanto para o profissional atendendo um cliente. A Análise do Comportamento não é uma teoria acabada, é um modo de buscar respostas. Ideias, conceitos e teorias, como resultados de comportamento humano, estão sempre submetidos ao processo de seleção por consequências, inclusive a teoria skinneriana dos três níveis de seleção por consequências.

   Com certa frequência faz-se menção à Análise do Comportamento como Análise Experimental do Comportamento, um método, uma área, uma filosofia, uma tecnologia (por exemplo, o “método ABA” para o tratamento do autismo). Essa prevalência da parte sobre o todo se deve provavelmente a uma ênfase na experimentação. Supõe-se que o analista do comportamento manipula alguma variável independente e observa cuidadosamente o efeito em alguma medida do comportamento. A Análise do Comportamento tem alguns pontos muito distintos de outros que prosperam na psicologia, como pesquisas de laboratório animal com análise experimental do comportamento de indivíduos (n = 1) – mas não se resume apenas à análise experimental do comportamento de indivíduos, nem no laboratório, nem no consultório clínico. Sua marca mais distinta é a linguagem teórica, o cimento que une todos os tipos de atividades compreendidas sob essa rubrica, marca, ou o que seja.

   Experimentação com n = 1 é a grande contribuição de Skinner para a psicologia experimental dos anos 30 do século passado. Trouxe de seus estágios nos principais laboratórios de biologia de Harvard. Junto com a taxa de respostas por unidade de tempo e os esquemas de reforço intermitente, forma o trio de ouro de Skinner. Mas nem ele ficou só na análise experimental do comportamento de organismos individuais (n = 1). Logo de início em Ciência e Comportamento Humano Skinner mostrou como se pode avançar analisando exemplos da vida diária à luz da teoria. E é essa teoria, que começa a ser desenvolvida em O Comportamento dos Organismos (1938) e continua sendo desenvolvida até hoje, e continuará a ser desenvolvida pelas futuras gerações, a teoria que faz a conexão entre os diferentes campos de atuação da Análise do Comportamento: pesquisa básica, pesquisa aplicada, atuação profissional, análise funcional, análise conceitual etc.

   A Análise do Comportamento é mais do que análise experimental. Ao escrever sobre o comportamento humano Skinner (1953) foi muito claro a esse respeito. Parafraseando Skinner, descrevo a Análise do Comportamento como um conjunto de atitudes, uma disposição para estudar comportamentos ao invés de lidar com o que alguém disse sobre o comportamento, uma vontade de aceitar os fatos sobre o comportamento mesmo quando esses fatos se opõem aos nossos desejos, uma disposição para ficar sem uma resposta até que uma satisfatória seja encontrada. É uma busca de ordem, de uniformidades, de regularidades, de relações funcionais entre ambiente e comportamento (Skinner, 1953, pp. 12-13). Uma ciência do comportamento trabalha com informações provenientes de várias origens: observações casuais, observação de campo controlada, observações clínicas, observação em instituições sob condições rigidamente controladas, e estudos de laboratório (Skinner, 1953, p. 37).

   Qualquer que seja a área, o objetivo, o método, o analista do comportamento trabalha com alguns conceitos básicos, suas ferramentas de ofício. O primeiro é o de contingência. Uma contingência é uma relação condicional entre eventos no ambiente afetando comportamentos respondentes, ou entre eventos no ambiente e comportamentos operantes. No laboratório o pesquisador controla e manipula contingências; na prática profissional o analista do comportamento identifica, analisa, modifica, ou ensina seu cliente a identificar, analisar e modificar contingências. O analista do comportamento reconhece que um estímulo pode ter múltiplas funções, como ser eliciador de respostas reflexas, reforçador (quando consequente) ou discriminativo (quando antecedente) de respostas operantes, e reconhece o poder multiplicador e o controle exercido por abstrações derivadas de contingências quádruplas bem como o papel de operações motivadoras e estabelecedoras.

   E o comportamento, o que é? O que é comportamento? Tudo o que a pessoa faz que possa ser analisado, inclusive o que ela diz, o que ela pensa, o que ela fala para si mesma, inclusive o que ela fala sobre o que pensa. 
 

 

 

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